Essa
curiosa parábola de auto-ajuda circula pela Internet em versão
Powerpoint.
Ela
é curiosa por vários motivos.
1. Menciona um
alpinista que, embora experiente, pois pretendia escalar uma altíssima
montanha, era extremamente imprudente. Uma das normas mais
elementares do alpinismo é jamais escalar uma montanha sozinho.
Essa norma se aplica a outras atividades esportivas como o mergulho
autônomo, mergulho em apnéia e o rafting bem
como a outros esportes chamados radicais.
Pois bem, nosso
amigo da fábula saiu sozinho...
2. Diz que foi
ficando tarde e mais tarde, e ele para ganhar tempo decidiu por não
acampar. Mais imprudência e irresponsabilidade. Se a
subida foi planejada ele saberia, com antecedência, quais os
pontos de parada e descanso e saberia que o planejado deveria ser
cumprido à risca. E não iria sozinho...
3. Afirma que
Ao subir por um caminho estreito,
a apenas poucos metros do topo . Como ele sabia que estava
perto do topo se a noite era
muito densa e, certamente, muito escura? A quem ele contou
essa proximidade do topo?
4. Conta que O
alpinista via apenas velozes manchas escuras passando por ele .
Como ele podia ver as manchas se o texto diz que não
se podia ver absolutamente nada?
5. Narra que [o
alpinista] sentiu um fortíssimo
solavanco, causado pelo esticar da corda . Um solavanco tão
forte teria matado o alpinista na hora. Veja que ele caía a
uma velocidade vertiginosa.
6. Relata que
o alpinista queria a glória
só para si. Além de imprudente e irresponsável,
esse rapaz era muito egoísta. O egoísmo não parece
ser uma virtude muito apreciada por Deus.
Leia
o diálogo que o alpinista travou com Deus antes de morrer. Algo
estranho?
Nada
estranho a não ser que o alpinista foi encontrado morto no dia
seguinte.
Se
ele estava morto quando foi encontrado, a quem ele contou o diálogo
com Deus, a visão das manchas, a decisão de continuar
a subida mesmo sendo noite escura e tudo o mais narrado no texto?
Na
verdade, a montanha não podia ser tão alta nem tampouco
altíssima, pois o alpinista, em menos de 24 horas, já
estava a poucos metros do topo. Além disso, a equipe de resgate
o encontrou no outro dia e durante o dia, pois se fosse noite não
veria nada.
Algumas
perguntas:
Foi
o cadáver do alpinista quem contou essa história toda
à equipe de resgate?
Ou
foi o espírito de auto-ajuda que baixou na equipe de resgate
e fez com que os seus integrantes criassem tão edificante parábola?
Por
que Deus não falou para o alpinista algo como "Corta logo
essa corda, pois estás a menos de 2 metros do chão, filho
imprudente"?
Hugo
Bezerra, um dos nossos colaboradores, ficou intrigado com essa história.
Veja os comentários
dele:
"Me 'emocionei'
com esta história. Só fiquei curioso em saber como ela
se espalhou... Isto me faz lembrar a pegadinha... A história
de um homem com problemas cardíacos que não podia ter
sustos pois poderia morrer. Um dia, ele sonha que está sendo
perseguido por um assassino. No momento do sonho em que ele recebe
a facada, tem um ataque e morre."
Intrigada
não com o autor do texto de auto-ajuda, mas com a nossa análise,
Lilia, uma perspicaz colaboradora, faz um paralelo com a fábula
da galinha dos ovos de ouro. Diz ela em sua mensagem:
"...
Vejamos agora
o análise da fábula do mesmo modo que vc analisou a fábula do alpinista:
...
Como ter certeza
se realmente existiu a tal galinha se o autor [Esopo] não apresenta
provas?
Onde
estão esses ovos já que nenhum museu do mundo possui um exemplar?
A ciência não explica nem endossa a possibilidade
de um animal ovíparo colocar ovos que não sejam biológicos, daqueles
que costumamos usar para fazer omelete.
O fato é que uma
FÁBULA, CONTO, ou qquer outro texto de "auto-ajuda" ou similar
não é nem tenta parecer REAL. É, apenas, uma maneira de expressar
uma idéia ou sentimento através de imagens ou deixar um ensinamento
e as pessoas que o repassam não têm intenção de dar a conhecer
um fato REAL ou JORNALÍSTICO. ..."
Os
leitores comentam.
Mensagem
original sem correções.