27
de junho de 2002
Várias
dezenas de mulheres de S. Bartolomeu de Messines, no concelho
de Silves, puseram-se nos últimos dias, em quintais, varandas,
à janela ou mesmo na rua desnudadas da cintura para cima, a fim
de fazerem uma "mamografia por satélite, através de raio laser".
...
Esta
situação insólita verificou-se depois de todas elas terem recebido
telefonemas de uma mulher que dizia ser "médica de uma clínica
de Faro" e que lhes falava das vantagens de uma "nova tecnologia
de mamografia por satélite" que estava em fase experimental. Para
ser utilizada, bastava às mulheres que se "colocassem num local
visível", de onde o "satélite as pudesse captar".
E
foi assim que pelo menos entre 30 a 40 mulheres da zona, sensibilizadas
pelo "risco do cancro da mama" e confiantes "nas novas tecnologias",
se puseram confiantemente de mamas ao léu, de acordo com as instruções
da dita "doutora", que as estava a ver e lhes ia dando indicações
precisas sobre as posições que deviam adoptar para o exame ficar
"o mais nítido possível".
Num
dos casos, que envolveu quatro mulheres, funcionárias de um restaurante,
de 45, 38, 19 e 20 anos, que viriam a apresentar queixa na GNR
local, a "doutora" deixou perceber que "tirava prazer sexual da
situação", tendo mesmo afirmado "ter tido uma tarde inesquecível"
enquanto a observava, bem como às suas colegas.
Contactada
pelo CM, uma das vítimas, que solicitou o anonimato, confirmou-nos
que foram muitas as mulheres de Messines que fizeram a "mamografia
por satélite", mas que não se queixaram às autoridades "por vergonha".
"Eu tive vergonha, mas também senti raiva e, por isso, apresentei
queixa à GNR", disse-nos, adiantando que a "doutora" abusou dela.
"Ela sabia que eu tinha tido uma doença e que tinha sido operada
recentemente, e usou isso para me aliciar", afirmou.
"No
dia em que nos convenceu a despir - às quatro - começou por telefonar
e a descrever o local onde nós nos encontrávamos, pelo que nos
convenceu de que nos estava mesmo a ver por um sistema de satélite.
Depois,
mandou sair uma de nós, com a camisa vestida mas sem soutien,
mas disse-nos pelo telefone que não conseguia ver bem e que, por
isso, tínhamos mesmo que tirar toda a roupa de cima.
Comigo,
foi ainda pior, pois mandou-me até tirar as calças, a pretexto
de ver a cicatriz da cirurgia". "Eu fui para o cimo de uma colina,
junto à estrada e, quando passava um carro, escondia-me, para
que não pensassem que eu estava maluca por estar ali naquela figura.
Uma
colega minha foi mandada pôr-se de seios nus, à porta, e outras
puseram-se à janela", revelou a vítima, ao mesmo tempo que mostrava
uma folha, contendo desenhos de mulheres com os seios nus, que
foi distribuída e afixada em Messines, anunciando a tal "mamografia
por satélite".
"Penso
que a maior parte das contactadas acreditou, até porque conheço
uma que, até há poucos dias, esperava que a "doutora" lhe enviasse,
tal como lhe fora prometido, a mamografia pelo correio", disse.