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NASA

Lenda

Os lápis dos russos e as canetas dos astronautas da NASA

A lenda procura ilustrar situações em que se buscam soluções complexas para problemas simples que poderiam ser resolvidos com facilidade e baixo custo. No caso em questão, nada mais falso.

Diz a mensagem: a NASA investiu milhões (ou bilhões) de dólares em pesquisas para criação de uma caneta a ser usada no espaço sideral. Enquanto isso, os russos continuaram a usar os lápis comuns, a grafite.

Os custos do projeto e do desenvolvimento da caneta espacial variam: 1 milhão, 1,5 milhão, 12 milhões, 241 milhões e 12 bilhões. Os valores são falsos.

Essa história é mais uma lenda, pois russos e americanos utilizaram lápis em suas viagens espaciais até serem criadas canetas especialmente para uso no espaço sideral.

Enquanto a nova caneta não estava disponível, o lápis foi usado por ser a única alternativa. Mas havia os riscos de acidentes e eles não eram pequenos.

Ao quebrar as pontas, pedaços de grafite ficavam a flutuar na cabine da espaçonave e poderiam causar acidentes se entrassem nos olhos e ouvidos dos astronautas.

Ou pior: se as pontas quebradas se alojassem nos circuitos eletrônicos poderiam provocar curtos circuitos de graves conseqüências. O lápis, portanto, foi usado enquanto não havia alternativa, pois ele mesmo poderia ser um fator de risco (sem trocadilhos ;))) e provocar acidentes.

A mensagem fala na empresa Andersen Consulting, hoje Accenture contratada pela NASA por 12 milhões de dólares.

Não foi a Accenture, mas a Fisher Space Pen Co que, em 1965, registrou a Patente # 3.285.228 da Anti-Gravity Pen. Os custos do projeto e do desenvolvimento da nova caneta foram todos bancados por essa empresa.

Depois de dois anos sendo testadas pela NASA, as novas canetas passaram a ser usadas pelos astronautas americanos a partir de outubro de 1968 na missão Apollo 7. Os russos também as adotaram a partir dessa época.

O texto contido na mensagem pretende ilustrar alguma técnica ou procedimento de busca de solução de problemas complexos. Os autores esqueceram, no entanto, de mencionar as variáveis mais importantes: o ambiente de uso, quem vai usar a solução, quem vai sofrer os impactos ou receber os benefícios da implementação da solução.

Pra quem fica aqui por baixo o lápis ou a lapiseira pode ser a solução ideal: o custo é baixo, vende-se em qualquer livraria, é de fácil manuseio, o traço é visível e pode ser apagado, apresenta-se em vários níveis de dureza.

Mas a grafite, além de ser condutora de eletricidade, ela quebra e o lápis possui o envoltório de madeira, um material combustível.

Quando a grafite quebra, em casa ou no escritório, não há nenhum problema causado pela ponta solta. A gravidade faz com que ela caia no chão ou na mesa e ela pode ser facilmente jogada na lixeira. Se ela for encontrada, é claro. E se não for encontrada, pior para ela :)))

Aqui na superfície da Terra, o fato de a grafite usada para escrever ser condutora de eletricidade é irrelevante assim como o fato de a madeira do lápis ser material combustível não tem muita importância.

Mas para quem necessita de um objeto para escrever e encontra-se num ambiente diferente do da Terra, como a bordo de naves espaciais em órbita, cercado de circuitos elétricos em que os riscos de incêndio e de propagação dele devem ser iguais a zero, aí as coisas ficam muito diferentes.

 

Mais:

History

The write stuff

 

Os leitores comentam.

Mensagem original.

 

Assunto: A Diferença entre "Foco no Problema" e "Foco na Solução"

Quando a NASA iniciou o lançamento de astronautas, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero.

Para resolver este "enorme" problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.

Empregaram uma década e 12 milhões de dólares, conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de 0 ate mais de 300 Celsius...

...Os russos utilizaram um lápis.

 


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