E também em Dallas, Midland e Huston - Texas, Baton Rouge - Louisiana, Arizona e no Alabama.
Em conseqüência da mordida da cobra, ou das mordidas das cobras, a criança morreu.
Em uma das versões, os donos da lanchonete teriam oferecido R$ 35.000,00 aos pais da criança para eles esquecerem o caso. Um absurdo! Uma desumanidade!
Outra versão diz: Amigos da Família divulgaram que O MC ofereceu pagar a Indenização em Dobro para que a Família não divulgasse o caso. Mas não menciona a quantia original e fica a dúvida: dobro de quanto?
Este caso aconteceu dia 19/11/04 no MC da Av. 9 de Julho de Jundiaí, foi um cliente nosso de lá quem mandou a mensagem. Cliente de quem?
Em abril de 2005, circulou mensagem afirmando que o caso teria ocorrido na cidade de Goiânia - GO e, por conta disso, sete das oito lojas de uma rede de lanchonetes haviam sido fechadas. Ao voltar à tal lanchonete o pai da criança descobriu que havia UM NINHO DE COBRA, COM APROXIMADAMENTE 23 FILHOTES!
Nessa mensagem, vale destacar as imprecisões:
- a contagem do número de cobras (aproximadamente 23 filhotes);
- a indicação da idade da criança (3 a 5 anos);
- a data do acidente (A [sic] mais ou menos um mês e meio atrás).
Quer dizer, apesar de se apresentar como o desabafo de uma pessoa ligada a família de "Maria" o(a) autor(a) da mensagem não sabe dizer a idade da criança nem tampouco se a idéia da Operação Abafa foi dos coordenadores ou [...] da família da vitima.
E quem redigiu o desabafo também não lembra quando ocorreu o suposto acidente.
Às vezes, a criança aparece toda picada (virou picadinho?:). Outras vezes, foram apenas duas mordidas, confundidas com picadas de pernilongos, borrachudos ou muriçocas, dependendo da região do país.
Pode não ter sido o mesmo animal, mas apenas a mesma lenda que andou passeando por outros lugares do planeta.
Nos EUA, uma mulher estava provando casacos numa loja de departamentos quando foi mordida por uma cobra. O réptil fora costurado, dentro do forro do casaco, no país de origem deles, da cobra e do casaco, um país sul-americano ou asiático, conforme a preferência do contador da história.
Mas não são apenas serpentes que povoam a imaginação dos passadores de lendas sobre lanchonetes.
Nos EUA, é famoso o caso de Kevin Archer, filho de Lauren Archer. Ele estava brincando numa dessas piscinas de bolas quando começou a reclamar de dor nas costas. Mais tarde, a criança começou a passar mal, morreu no hospital e a autópsia constatou que a morte fora conseqüência de overdose de heroína.
Ao esvaziar a piscina de bolas da lanchonete (McDonald’s ou Burger King), os policiais teriam encontrado comida estragada, facas, fraldas, fezes, urina e seringas contendo heroína. Um verdadeiro lixo :(
A notícia espalhou-se rapidamente, pois o Houston Chronicle de 10 Outubro de 1994 teria publicado a notícia. O jornal desmentiu: jamais publicara coisa semelhante.
Essas histórias circulam desde a década 80 e pode até existir alguém chamado Kevin Archer, mas jamais foram localizados nem o cadáver da criança, nem a sua família nem a lanchonete.
Kevin Archer tinha 3 anos de idade. A suposta vítima brasileira tinha 4 anos.
Seja como for, essas piscinas de bolas talvez recebam, diariamente, alguma dose de xixi e de cocô de criança e os riscos sejam outros. Visita de cobras?
O saite da Difusora de Franca - SP tomou conhecimento do suposto acidente, fez as investigações e concluiu que tudo não passa de uma lenda urbana. A mesma coisa fez o saite Montesclaros.com: tudo mentira.
Investigando o suposto acidente, o Jornal de Piracicaba ouviu Carmelina de Toledo Piza, mestra em educação e contadora de histórias. "Ela afirma que as lendas urbanas surgem para preservar o mito, que alimenta o medo. Carmelina cita como lendas urbanas o saci-pererê, a mula-sem-cabeça, a loira-do-banheiro, o caboclinho-d'água e, mais recentemente, o chupa-cabras."
O saci, a mula-sem-cabeça, a loira-do-banheiro e o caboclinho-d'água são mitos locais do Sul do país. O chupa-cabras andou passeando por vários lugares do Brasil.
Na região da mata de Pernambuco, temos os mitos locais: a caipora e a comadre 'fulôzinha' dão muito trabalho aos que moram ou trabalham no campo. A alma de cavalo também prega sustos aos mais descuidados. Há duas décadas, ficou famosa a perna cabeluda que fazia horrores aqui no Recife.
Eu, particularmente, prefiro ouvir as histórias da irascível caipora e da ranzinza "cumadi fulôzinha". São mais divertidas e saborosas do que essas coisas de shoppings centers e sanduíches gordurosos com sabor de borracha.
Aparentemente inconseqüentes, histórias desse tipo trazem prejuízos para pessoas que nada têm a ver com ela. É o caso de Cristiane, empresária do ramo de diversões infantis do Rio Grande Sul. Diz ela: "Aqui em minha cidade (Santa Maria - RS) inventaram essa história e, por incrível que pareça, tive uma cliente que desistiu da locação de uma piscina de bolinhas pq a filha está traumatizada com a história do shopping."
Uma das versões afirma que o fato teria ocorrido no dia 19/11/04 no MC da Av. 9 de Julho de Jundiai e completa: Um amigo meu tecnico de segurança do trabalho me enviou este e-mail, que diga-se de passagem é de arrepiar os cabelos. Passem ele adiante, podemos assim evitar que outras tragédias como essa, independente do lugar, voltem a acontecer.
Maria Lúcia ficou preocupada, pois em sua cidade, Joinvile - SC, circulou história dizendo que uma criança [ ...] foi mordida por uma Jararaca na piscina de bolinha das lojas Havan.
Jararaca, cobra coral, cascavel. Essas cobras e suas histórias passeiam pelo Brasil e pelo mundo revelando o temor das pessoas nesses animais peçonhentos. Esse medo não é coisa recente, vem dos tempos mais remotos. Basta ver os diversos mitos envolvendo cobras de muitas cabeças, animais cujos membros são cobras ferocíssimas.
Os leitores comentam.
Veja também Cobra coral em supermercado. O filhote frenético do setor horti-fruti.