To: Lendas
Sent: Saturday, April 14, 2007 2:04 PM
Subject: Fw: Novo método de transmição de HIV
Acrescente-se
ao comentário do Sr. Fernando Henrique Perez, que, em todos
os e-mails recebidos, jamais li algo acerca da moeda da ajuda. Sempre
foram 0,05 centavos, MAS, DE QUE MOEDA?
O que tenho feio
é realçar este fato e mais a verdade de que se fosse
real a ocorrência, a criança já teria morrido
ou já estaria curada, baseando-me apenas no meu tempo de acesso
à Internet, qual seja, seis anos.
Outrossim, tomei
conhecimento, nesta data, desse site desmitificador e doravante tomarei
a liberdade de enviar-lhes colaborações acerca das meias-verdades
ou inteiras-mentiras que surgirem, pois, tomo o cuidado de consultar
as fontes citadas e posso assegurar que já demonstrei mais
de cinco casos mentirosos.
Forte abraço
Antonio
São Paulo - SP
Sent: Tuesday, December
09, 2003 3:05 PM
Subject: Re: En:IMPORTANTE!!!!!!!!!!!!!!!
Por favor <NÃO> repassem o e-mail anterior enviado pelo T...
a respeito da menininha com 'câncer no cérebro'. Claramente
aquilo é um hoax, uma lenda urbana mal feita.
Em primeiro lugar, a menina da foto não se chama Natalie, mas Megan
Olive Cronce. Ela é uma menina completamente saudável, que agora já
tem 5 anos de idade. Seus pais botaram suas fotos no site www.babypics.com e algum mal intencionado aproveitou-se
disso para criar essa lenda urbana.
Outras fotos da
Megan e informações sobre ela se encontram em: http://www.babypics.com/Cronce/Megan.html
.
Além disso, este e-mail está em circulação desde 1998, em diferentes
línguas e em diferentes países (vide: http://hoaxinfo.com/natalie.htm).
Os provedores trocam (AOL, UOL, BOL...) e os valores mudam de centavos
de dólar, para centavo de real, etc.
Supondo que de fato existisse essa criança chamada Natalie, que ela
realmente tivesse câncer no cérebro, que o câncer fosse diagnosticado
logo após o nascimento (o que é muito improvável, dado que os sintomas
de um câncer de cérebro são na maioria das vezes psicomotores e o
diagnóstico só pode realmente ser confirmado através de uma operação
(biópsia)) a probabilidade de que ela estivesse viva hoje com 5 anos
de idade, com o tumor não tratado, seria mínima.
Para mais informações
sobre câncer de cérebro em crianças vide: http://www.cancer.gov/cancerinfo/
pdq/treatment/childbrain/patient/.
Para um estudo
sobre a ocorrência de câncer em crianças e recém-nascidos, vide: http://seer.cancer.gov/
publications/childhood/infant.pdf . Pode-se confirmar lá, que
quanto mais nova a criança, menores as chances de que ela sobreviva
um período longo de tempo como 5 anos.
Vamos supor agora que tomássemos uma dose de anti-ceticismo
e acreditássemos que, apesar de todas as evidências anteriores,
o e-mail ainda fosse verdade. Que existe por aí uma criança chamada
Natalie com 5 anos de idade e um câncer no cérebro não tratado.
Diz-se no e-mail
que a AOL (ou qualquer outro grande provedor, dependendo da versão)
irá pagar 5 centavos por e-mail enviado. Isso é altamente improvável
por várias razões. Em primeiro lugar, não há nenhuma maneira de se
rastrear confiavelmente que e-mails são enviados para quem.
Em segundo, mesmo
que fosse possível esse rastreamento, que lucro teria o BOL, UOL,
AOL com o envio desses emails? Se eles de fato se dispusessem a ajudar
a família, eles poderiam simplesmente pagar a operação diretamente
e colocar alguma coisa no site deles em auto promoção.
Além disso, notem
que não há <nenhuma> referência a qualquer informação para contato
com a família, de onde eles são, onde nasceu a criança ou em que hospital
ela está sendo tratada. Típico, não? Se você quiser escrever uma história
falsa, a última coisa que você vai querer é ter que ficar se preocupando
com inventar referências.
Por último, vamos supor ainda que nós tivéssemos realmente
muita boa vontade mesmo, que acreditássemos que apesar de tudo
que foi dito até agora, o e-mail fosse verdade, que o BOL/UOL/AOL
pagaria de fato a quantia à família sabe-se lá com a
ajuda do Papai Noel e do saci-pererê, decerto. (Se conseguimos
engolir tudo que lemos até aqui, acreditar em Papai Noel ou
no saci não é muito difícil, de qualquer forma).
Enfim, digamos
que em 1998 a 'Krista Marie' mandou essa primeira mensagem para 10
conhecidos dela.
Suponhamos que
cada uma dessas 10 pessoas mandaram o e-mail para mais 10 conhecidos.
Seguindo nesse
raciocínio, notemos que o número de e-mails enviados segue
uma progressão geométrica, a notar
(1,10,100,1000,...) (a0 = 1, q = 10)
No instante n então, teremos
que o número total de e-mails enviados será dado por
S = 1 * (1-10^n) / -9 (I)
Suponhamos (numa estimativa bem modesta) que o intervalo de tempo
para que as pessoas repassem os e-mails seja de uma semana. Ou seja,
você recebeu o e-mail sobre a criança hoje e manda ele para 10 conhecidos
em uma semana.
Na verdade as
pessoas mandam muito antes disso, mas fazer uma estimativa conservadora.
Pois bem, um ano
tem aproximadamente 52 semanas. Vamos descontar 2 semanas, pois digamos
que ninguém envie e-mails sobre hoax na semana santa nem na
semana do ano novo. Em 5 anos (desde 1998 até agora), já se passaram
5x50 = 250 semanas.
Pela equação (I), temos que o número de e-mails enviados desde o início
dessa corrente foi de aproximadamente 10^248.
Isso mesmo, 10
elevado a 248, ou ainda 100000000000000000000000... (248 zeros).
Considerando que a AOL pagasse os 0.05 centavos de real por e-mail
enviado, temos que ela deveria pagar à família hoje:
10^248 * 0.05 = 5 * 10^246 reais.
Para termos uma idéia da magnitude desse número, notemos que o número
estimado de prótons no UNIVERSO INTEIRO é de aproximadamente 10^79.
Ou seja, se cada próton do universo todo fosse convertido em uma nota
de um real, a quantia conseguida ainda seria insuficiente para pagar
0.000000000000000000000000001% da dívida.
O utra forma de ver isso seria considerando que com um produto interno
bruto de 10 trilhões de dólares (10^13 dólares), seria necessário
que todos o dinheiro dos Estados Unidos inteiro fosse multiplicado
por 10^233 para que fosse possível pagar a quantia.
E, por último, um apelo: por favor sejam mais críticos no seu dia-a-dia,
seja com histórias por e-mail, coisas que te contam pessoalmente ou
mesmo o que você ouve em jornais ou revistas (já houve casos de jornais
famosos que caíram em lendas urbanas).
Uma boa fonte
de informações em português sobre o assunto é http://www.quatrocantos.com/lendas
.
[]'s
Fernando Henrique Ferraz Pereira da Rosa