A chegada de um turista numa cidade da Irlanda do Norte coincide com uma das temporadas de atentados terroristas no país. Uma noite ele está voltando ao hotel e passa por uma rua deserta quando é agarrado por trás. Ele sente um revólver na nuca e o agressor lhe pergunta:
- És protestante ou católico?
O turista fica sem saber o que responder. Se disser que é protestante, o agressor pode ser católico e suas chances de sobrevivência são mínimas. Também não terá chances se disser que é católico e o agressor for protestante. Raciocina rápido e vê se pode identificar qual a origem do agressor pelo sotaque, roupa ou qualquer outro indício. Mas é impossível. Tenta identificar se aquela região é de domínio de um ou de outro grupo religioso, mas o turista ainda não tem bastante conhecimento sobre a cidade para sabê-lo. Tudo isso passa pela cabeça do turista numa fração de segundo. Ele não sabe o que fazer. Sente o cano do revólver na nuca. A pressão é cada vez maior. Tem que decidir rápido. Católico ou protestante? Só tem uma saída: dizer uma outra religião qualquer. Pronto. É isso.
- Sou judeu - diz o turista.
- Que Alá seja louvado. Mohamed é o árabe mais sortudo da Irlanda.
Congresso Internacional de Serviços de Espionagem, Segurança Nacional, Inteligência e Polícia
Esta aconteceu no Congresso Internacional de Serviços de Espionagem, Segurança, Inteligência e Polícia realizado num grande, na verdade, no maior, imenso, grandioso, enorme, retumbante e plácido país sul-americano.
Como em todo congresso, havia as apresentações de teses, novidades, equipamentos, workshops, demonstrações e tudo o mais. Um dos principais momentos era a apresentação de técnicas de identificação e captura de criminosos. Cada país e cada polícia que se esmerasse mais na sofisticação e na eficiência dos procedimentos utilizados.
Numa das demonstrações, estavam envolvidos a CIA, o MI-5 e a polícia do país sede do congresso.
A demonstração consistia no seguinte. O presidente do Comitê de Demonstrações iria soltar um coelho branco numa reserva florestal próxima, chamada Tijuca e mediria o tempo decorrido desde a soltura do animal até o instante em que ele fosse capturado e trazido à comissão julgadora.
O presidente soltou o animal e coube à CIA a primeira demonstração. Seus agentes se espalharam pela floresta, interrogaram informantes, vasculharam grutas, ocos de árvores, olharam sob as pedras, usaram equipamentos da mais alta tecnologia e duas horas, quinze minutos e dezesseis segundos depois trouxeram preso pela orelha o assustado coelho branco.
Depois foi a vez do MI-5. O presidente do Comitê de Demonstrações soltou o coelho branco e o MI-5 entrou em ação. Seus agentes se espalharam pela floresta, ouviram informantes, vasculharam grutas, ocos de árvores, olharam sob as pedras, usaram equipamentos da mais alta tecnologia e duas horas, quinze minutos e dezessete segundos depois trouxeram de volta o assustado coelhinho branco.
Aí chegou a vez da polícia do país sede. O presidente do Comitê de Demonstrações soltou o coelhinho branco e a polícia entrou em ação. E o tempo foi passando. Duas horas e meia depois, nem notícia da polícia nem do coelhinho.
Começou a anoitecer e nada. Nenhuma notícia.
Anoiteceu.
No dia seguinte, por volta do meio dia, chegaram os policiais, felizes da vida, carregando um enorme porco preto. O porco estava todo ensangüentado e sujo de lama. Tinha um olho roxo, duas pernas quebradas e faltava-lhe uma orelha. O porco estava a gritar apavorado com uma voz cada vez mais fraca:
"EU SOU UM COELHINHO BRANCO, EU SOU UM COELHINHO BRANCO..."