Brasília, final de tarde. Numa das largas avenidas da Capital Federal está havendo uma confusão: congestionamento, buzinas, muitos carros parados, caos total.
Um sujeito, já meio impaciente, chama um guarda que parece tentar organizar o trânsito:
- Ó seu guarda, o que é que tá acontecendo aí?
- É o Presidente. Ele tá lá no meio da rua. Parou o trânsito. Tá dizendo que quer pagar o que o Brasil deve aos países ricos. Acho que é essa tal de dívida externa, né.
- Mas por que ele parou o trânsito?
- Ele diz que quer pagar essa dívida e tá fazendo uma coleta, um pedágio. Todo mundo tem de colaborar. Ele diz que é uma questão de honra: ou ele paga essa tal de dívida externa ou ele joga gasolina em cima dele e toca fogo. Ele parece muito decidido, moço. E a gente tá aqui tentando ajudar, fazendo uma coleta, né.
- E você já arrecadou muita coisa?
- Comecei agora e já consegui uns trinta. (Mostra um balde.) Mas meu amigo ali na frente já tá com mais de cem litros de gasolina.
Desfocado
Para testar sua popularidade, o Presidente FHC vai passear pela cidade. Passa em frente a uma loja, pára e comenta com a primeira dama:
- Olha, Rute, esse pessoal anda reclamando à toa. Com a moeda estável, veja como ficaram os preços de roupas nessa loja: calças 10 reais, camisas 5 reais, ternos completos 20 reais...
- Mas Fernando, isto aí não é uma loja de roupas. Isso aí é uma lavandaria.
Investimento de risco
O Presidente FHC viaja ao exterior e tenta estimular os estrangeiros a investir no país.
- Se eu não fosse o presidente, eu investia lá todo o meu dinheiro.
- Nós também, Presidente. Se o senhor não fosse o presidente nós também faríamos isso.