Histórias de BrasíliaDepois de muitos anos, dois amigos se encontram em Brasília. Um deles observa o que acaba de descer de uma Mercedes: relógio Rolex, terno Giorgio Armani, gravata de seda italiana. Um luxo só. - Vejo que você está se dando bem aqui em Brasília. Como conseguiu tudo isso? - Foi fácil. Eu vendi minha alma a Satã. Agora eu consigo tudo o que eu quero. - E como se faz isso? - É o seguinte. Numa noite de sexta-feira você desenha um círculo de giz no chão. No centro do círculo você coloca uma estrela dourada e sobre a estrela você acende uma vela preta. Espera um pouco e depois você grita: "SATÃ, SATÃ. VENHA BUSCAR MINHA ALMA, SATÃ." A chama da vela fica bem grande e de dentro dela sai o Satã em pessoa. Aí é só você dizer o que quer em troca da alma. O amigo pobre gosta da idéia, passa na loja de umbanda e compra a vela preta e a estrela dourada. Na sexta-feira seguinte espera com ansiedade a chegada da noite. Faz tudo conforme as instruções: desenha o círculo, põe a estrela dourada, acende a vela e grita as palavras mágicas. Nada acontece. Espera um pouco. Novamente grita as palavras mágicas e nada acontece. Daí a pouco, a chama da vela cresce e dela sai um minúsculo diabinho. É um filhote que não tem mais que um palmo de altura. Aí o filhote fala com uma voz estridente: - Escuta aqui, ó moço. Eu trabalho na assessoria do gabinete de seu Satã e ele mandou dizer que a verba desse ano acabou. Agora, só no ano que vem.
O canibal e o político Dizem que, no Brasil, ninguém come ninguém por via oral, ou seja, dizem que aqui não tem canibal. Ledo engano. (Os da Academia Brasileira de Letras dizem ledo e ivo engano...) Pois bem, um canibal estava passeando por uma floresta nas imediações de Brasília, após o expediente, quando passou em frente a um restaurante. Já era noite, o canibal estava com fome e resolveu jantar. Entrou no restaurante e pediu o cardápio. No cardápio estava escrito:
Explorateur au vin R$ 22,00 Caçador à caçadora R$ 22,00 Fritada de político R$ 182,00 |
Ele achou estranha essa diferença de preços e perguntou ao maitre qual a razão de o político custar tão caro. - O senhor já viu o trabalho que dá pra limpar um deles? - respondeu o maitre.
A CPI Encontraram uma criança recém-nascida em frente ao Congresso Nacional e instalaram uma CPI para descobrir o que havia acontecido e se a criança havia sido feita por lá. Após meses e meses de pacientes e dedicadas investigações, os ilustres membros da CPI chegaram à seguinte conclusão: 1. A criança não é produto do trabalho ou atividade de qualquer das duas casas que compõem o Congresso Nacional em virtude de: a) Em nenhuma delas nada jamais foi feito com prazer nem com amor; b) Para o nascimento de uma criança é imprescindível um mínimo de colaboração entre as partes envolvidas, coisa impossível de ocorrer por aqui; c) A criança encontrada tem pé e cabeça. Ocorre que raramente aqui se faz algo com pé e cabeça. d) Nove meses é o tempo necessário para que uma criança fique pronta para vir ao mundo. Esse tempo é curto demais para que se conclua algo em qualquer destas duas casas.
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