Os brigadeiros
A avozinha já bem velhinha e bem doentinha está nas últimas. Os médicos já avisaram à família que, a qualquer momento, ela pode virar a cambota. Toda a família se prepara para o pior. De repente, ela tem uma melhora súbita e os netinhos vêm conversar com ela. Já mais lúcida, ela sente no ar aquele cheiro maravilhoso de brigadeiro (a guloseima de chocolate, não o milico), há décadas seu doce preferido. Ela chama um dos netinhos e pede para ele ir buscar alguns brigadeiros. Ele vai até a cozinha e volta com a resposta:
- Mamãe disse que os brigadeiros são pro velório.
Cena doméstica
Tarde tranqüila. A mãe a costurar e a cantar uma terna canção de Roberto Carlos. Aqui, acolá ela corta um pedaço de pano. Corta e costura. Ao lado está a pequerrucha Mariazinha, filha única e mimada, entretida com papel e lápis a desenhar figuras. O tempo passa e passa. A certa altura, a mãe pede a Mariazinha que lhe mostre os desenhos. Ela mostra os desenhos e a mãe toma um grande susto. Um susto tremendo. O que a mãe vê lhe causa uma terrível decepção, um verdadeiro choque. Os desenhos retratam claramente o famoso passaralho ou, para os mais sensíveis, um falo, o símbolo da virilidade (para quem não sabe, símbolo da virilidade é o cacete): duas bolas e, saindo dentre elas, uma haste. A mãe não acredita no que vê. Como é que uma criancinha tão inocente começa, de repente, a desenhar essas coisas? Ela se controla o mais que pode e pergunta:
- Onde é que você viu isso, Mariazinha?
- Na sua mão, mãezinha.
- O QUÊÊÊ???!!! O que você anda aprontando sua...
A mãe perde o controle. Mulher virtuosa e conhecedora de seu papel de mãe, ela não admite comportamentos indecentes. Desde cedo tem de impor respeito e dignidade à família. Aplica uma bem merecida surra na Mariazinha. Surra, castigo em pé no canto da parede, uma semana sem ver televisão e sem a mesada.
- Quando seu pai chegar você vai ter uma conversinha com ele.
Pobre Mariazinha! Ela chora, soluça desconsolada sem entender direito a gravidade de seus estranhos desenhos. A tarde passa devagar. E a Mariazinha em pé, já cansadinha, a coitada. E chorando aquele triste choro entrecortado de soluços. Como a tarde passa devagar.
Chega finalmente a noite e o pai volta do trabalho. A mãe vai falar com ele e diz para ele ter uma conversa muito séria com a filha. Já é tempo. Envergonhada, não mostra sequer os desenhos: o pai que pergunte à filha.
- O que é que você estava desenhando, Mariazinha? - pergunta o pai.
- A tesoura da mamãe... sniff... sniff...
Picadinho de mãe
- Papai, papai! A onça picou mamãe.
- Mas o que é isso, Juquinha? Uma onça não pica. O mosquito é que pica. A onça morde.
- Não, pai. Ela picou a mamãe. Em pedacinhos.
Na escola
- Joãozinho, como se chamam os nascidos em Pernambuco?
- Pernambucanos, professora.
- Muito bem. Você, Mariazinha: como se chamam os nascidos em Minas Gerais?
- Mineiros, professora.
- Ótimo, Mariazinha. E agora você, Joaquinzinho. Como se chamam os nascidos no Rio Grande do Norte?
- Todos eles, professora?
Corramos!
Um senhor muito bem vestido, muito elegante vai andando pela calçada quando vê uma garoto tentando tocar a campainha de uma casa, mas o botão da campainha fica muito alto e o garoto não alcança. O senhor se aproxima e pergunta:
- Posso ajudá-lo?
- Pode, sim. O senhor me ajuda a tocar a campainha?
- Claro.
O senhor levanta o garoto nos braços e o garoto toca a campainha. Aí o garoto diz:
- Agora, vamos correr.
O Insistente
Juquinha chega perto de um homem que está consertando um rádio e pergunta:
- O senhor é o técnico que conserta telefones?
- Não, menino. Eu sou um técnico que conserta rádios.
- Mas o senhor não conserta telefones?
- Não. Eu só conserto rádios.
- Mas o senhor tem certeza de que não conserta telefones?
- É claro que eu tenho. Eu só conserto rádios.
- E telefone? Por que o senhor não conserta telefones?
O homem começa a ficar impaciente:
- Escuta aqui, ó menino: eu sou radiotécnico e só conserto rádios.
- Mas é que me disseram que o senhor consertava telefones.
Aí o homem perde a paciência:
- TÁ BEM, TÁ BEM. EU SOU UM RADIOTÉCNICO QUE CONSERTA TELEFONES. AGORA TÁ SATISFEITO?
- Ah, bom. (Pausa) Então me diga uma coisa: e o que é que o senhor tá fazendo aí com esse rádio?