É isso: as Profecias de Nostradamus trazem as descrições de todos os acontecimentos, das grandes guerras e das desgraças ocorridas no Ocidente.
Como a linguagem usada no texto é sempre confusa, obscura e sujeita a diferentes interpretações cada pessoa a interpreta como lhe convém e essa decifração só é feita após a ocorrência de um fato de modo que se pode adequar as duas coisas: o fato ocorrido e a "profecia" realizada. É a profecia do passado: escolhe-se uma quadra, o texto de todas elas é vago e confuso, e as palavras vão sendo interpretadas segundo a conveniência de quem faz a interpretação.
Em nenhum caso, repitamos, em nenhum caso se tem uma profecia de Nostradamus interpretada antes da ocorrência do fato preconizado. A interpretação e a "comprovação" dela sempre se fazem após o acontecimento.
Essa defasagem é profundamente lamentável, pois muitas desgraças poderiam ser antevistas e cuidados poderiam ser tomados no sentido de evitar a perda de muitas vidas. Se impossível evitar um desastre, como um fenômeno natural, um terremoto ou uma inundação pelo menos se poderia evacuar uma cidade ou uma região sujeita à ira da natureza.
Tem mais.
Príncipe, rei, rainha, bispo, arcebispo, papa, herdeiro, grande homem, França, Espanha, Pérsia, Egito, Bizâncio, guerra, batalha, inimigo, luta, mortes, montanha, planície são palavras freqüentes no texto. Não é difícil, ao longo de 450 anos de história da Europa, encontrar pessoas, países, lugares, situações e acontecimentos que caibam e se ajustem às descrições cifradas. Também se pode estender as profecias para o resto do mundo e aí fica bem mais fácil ajustar uma suposta profecia a um fato ocorrido no planeta Terra nesses últimos quatro séculos e meio.
E onde ficam as profecias? Ficam em lugar nenhum. Não existem nem nunca existiram de fato a não ser na fértil imaginação dos seus intérpretes, gente com a habilidade de transformar descrições obscuras em descrições de acontecimentos passados. O que existe é um texto hermético, indecifrável, confuso, obscuro e essas características fazem brotar o mito da predição.
Até que um novo significado seja adotado para a palavra, profecia significa predição do futuro (impossível a predição do passado), a antevisão de fatos e de ocorrências do porvir. Portanto, as Profecias de Nostradamus, apesar do muito que se fala e que se escreve sobre elas nesses últimos 450 anos, servem apenas para... para quê, mesmo?
Para encher de lingüiça uma página da web como esta aqui, por exemplo, o que não é grande coisa, convenhamos. Serve também para conferir um certo grau de erudição aos seus intépretes, supondo que eles realmente estudaram a história do mundo desde 1555 até hoje.
Qual o valor de uma profecia, da antevisão do futuro?
Que tal fazer uma pequena e conveniente distorção e usar usar a palava previsão no lugar de profecia?
Desde os primórdios da humanidade que se buscam formas de prever o futuro. Essa previsão era e é importante até por uma questão de sobrevivência da espécie humana. Antever os períodos de chuva, de seca, de frio, de calor, de abundância de caça e de frutos foi de fundamental importância para os nossos ancestrais. Hoje, os calendários e as previsões meteorológicas baseadas em imagens de satélites tornam as coisas bem mais fáceis.
O que para alguns poucos era o conhecimento acumulado resultante da observação arguta do mundo – direção do vento, coloração das nuvens, migração de aves, posição de astros no céu – para outros era conhecimento resultante da iluminação e da revelação de entidades obscuras. Quem dispusesse de informações capazes de antever a seqüência de estações do ano e dos fenômenos a ela associados, por exemplo, ocupava lugar de destaque no grupo ou na tribo.
Nada diferente do mundo atual: informação é poder.
E por último, o grande equívoco: A profecia contida na mensagem.
Tudo começou com o artigo "Nostradamus: A critical Analysis" de autoria de Neil Marshall publicado em página da Brock University do Canadá. O autor fala da ausência de sustentabilidade da tese de profecia, de antevisão do futuro feita por Nostradamus ou por qualquer outra pessoa.
Para ajudar na sua argumentação, o autor "cria" uma profecia tão confusa quanto qualquer uma das profecias de Nostradamus. Ele diz: