E
finaliza recomendando às pessoas para dar uma balançada na cabeça
dos seus colegas de trabalho de vez em quando para terem certeza de
que eles estão vivos.
Resumo
da novela, quer dizer, da história: um zeloso revisor, traduzido na
versão brasileira como verificador de texto, de uma editora
de Nova Iorque morreu numa segunda-feira em sua própria mesa de trabalho
e somente no sábado seguinte se descobriu que ele estava morto.
Cinco
dias depois...
Uma
das primeiras questões a se levantar quanto à veracidade dessa história
é o fato de ninguém do escritório, nenhum dos 23 colegas, haver percebido
o colega parado, sem se mexer, sem mudar de posição, sem levantar
da cadeira desde a segunda até a sexta feira. Vale lembrar que o ambiente
de trabalho é descrito na mensagem como "andar aberto, sem divisórias".
Outra
questão: nenhum dos 23 colegas sentiu o mau cheiro exalado do corpo.
Talvez não no dia seguinte, mas, certamente, a partir do terceiro
dia, quarta-feira, o corpo já emitiria os odores da decomposição.
Tem
mais: em que posição o cadáver ficou na cadeira de modo a não ser
percebido pelos colegas? (Ops! desculpe, foi péssima, mas você entendeu,
não?)
Foi
graças a essa lenda que o diligente revisor George Turklebaum (trinta
anos na mesma função!) ficou famoso. Após a morte, é verdade. Mas
nem tudo é perfeito...
No
Fast AlltheWeb,
ele aparece 525 vezes e no Google
ele retorna 541 resultados. É bem verdade que ele não existiu em vida,
mas isso é um mero detalhe, pois ele e as circunstâncias de sua morte
foram objeto de reflexões em muitos idiomas e sob variados enfoques.
Qualidade
de vida no trabalho, relacionamento frio e distante entre colegas,
sociabilidade, capitalismo selvagem, indiferença, falta de comunicação,
relações humanas no trabalho e muito mais coisa associada à administração
de recursos humanos foi analisada por especialistas e curiosos no
assunto. Ou o contrário: curiosos e especialistas no assunto.
Uma
de nossas colaboradoras lembrou mais um aspecto interessante: "...o
quanto o George Turklebaum era improdutivo e com o aval do chefe,
uma vez que mesmo o chefe sabendo que Mr. Turklebaum era o primeiro
a chegar ao trabalho, nos cinco dias em que ele esteve morto, sem
ser percebido pelos colegas, não houve produção, mas o chefe não o
percebeu. Eu despediria um chefe desse se fosse na minha empresa."
O
famoso Turklebaum, o homem que nunca existiu, foi objeto, até mesmo
de comentários de ordem religiosa. Página de uma igreja comenta a
história e finaliza dizendo: "Jesus vê e cuida de você", mesmo que
seus colegas de trabalho não lhe dêem a mínima. (Faça
o melhor, Weekend
message)
Foi
na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, símbolos
do capitalismo selvagem e da exploração do homem pelo homem (há um
regime político que dizem ser exatamente o contrário :) que
um pobre trabalhador morreu em sua mesa de trabalho e ninguém o percebeu.
Pra muita gente, isso é o bastante para dar credibilidade à história.
Os
jornais norte-americanos não levaram muito a sério esse "acidente
de trabalho", mas alguns jornais ingleses divulgaram como verdadeira
essa incrível história: The
Guardian (15/12/2000), Planet
Tabloid (12/01/ 2001), The Times (24/01/2001), Birmingham Sunday
Mercury (07/01/2001).
O
saite BBC Brasil publica notícia sobre caso semelhante que teria acontecido
na Finlândia. Veja Finlandês
morre no trabalho e colegas só notam dois dias depois.
Jamais
existiu um Mr. Turklebaum morto nessas circunstâncias. Tudo não passou
de invenção de mente desocupada para iludir os crédulos (e pra ajudar
a gente ocupar esta página :))
Conclusão:
ao ler uma mensagem ou qualquer outra coisa - livro, jornal, revista,
página da web - faça uma análise crítica do conteúdo dela. Veja se
as afirmações são coerentes e se o acontecimento descrito é plausível.
Verifique se a história apresenta algum fundamento, preste atenção
aos detalhes. Procure outras fontes, confronte opiniões diferentes
e tire as suas próprias conclusões. A dúvida persiste? Então pesquise
um pouco mais.
Os
leitores comentam.
Texto
da mensagem.