Continuando.
Bactérias.
O
organismo humano é composto de dezenas de trihões
de células e dentro de cada uma delas habitam
micro-organismos cuja contagem total chega a quantidades
enormes. Vejamos
alguns números a respeito de células e
bactérias:
-
estima-se a existência de 100 milhões
de bactérias, de umas 600 espécies diferentes,
em cada mililitro de saliva;
- um totôzinho de nada, de apenas um grama,
pode conter até de 1 trilhão de bactérias.
Uma
pessoa saudável pode conviver com muitas dessas
bactérias sem maiores problemas, mas caso uma
delas venha a se multiplicar mais do que o aceitável
pelo organismo ter-se-á um desequilíbrio
e a consequência é a doença.
No
caso desses micro-organismos, tal como em toda novela
que se preza, existem os mocinhos e as mocinhas, personagens
que só fazem o bem, e os malvados e as malvadas,
personagens do clube do mal. Assim é com as bactérias:
existem as bactérias do bem e as bactérias
do mal. Bactérias que contaminam alimentos e
provocam doenças e aquelas que ajudam a produzir
alimentos.
Bactérias são essenciais na fabricação
de alimentos e bebidas. Pães, queijos, vinagres
e iogurtes; vinhos e cervejas por exemplo.
Bactérias
do mal provocam doenças como difteria, desinteria,
cólera, coqueluche, tétano, tuberculose,
febre tifóide e botulismo.
Voltando
à mensagem.
Ao
afirmar que
a fonte para se obter o famoso DanRegularis
...
São as FEZES HUMANAS a mensagem sugere
que os fabricantes do iogurte saem à cata de
totô para transformá-lo em iogurte.
E
nem precisa dizer que isso não corresponde à
verdade.
Nos
intestinos dos humanos habitam micro-organismos que
compõem a flora intestinal, ou microbiota intestinal,
e diversas bactérias fazem parte dessa população.
Bactérias do bem vivem nas entranhas de pessoas
saudáveis e sem algumas dessas bactérias
o ser humano é incapaz de sobreviver.
A
Bífidobacterium animalis é um
dos habitantes do intestino do ser humano saudável
e o DanRegularis™ é produzido
a partir da Bifidobacterium animallis DN-173
010, subspécie lactis. Essa bactéria,
criada em laboratório, encontra-se protegida
pela patente EP1297176B1. O código DN173010 corresponde
à cepa da marca comercial DanRegularis™,
marca registrada pelo fabricante.
Cepa
é a linhagem ou raça de uma espécie
de bactéria.
Tendo
a cepa sido obtida em laboratório, a partir de
experimentos, é ocioso dizer que a sua origem
não é a indicada na mensagem. É
verdade, contudo, que a Bífidobacterium animalis
pode ser encontrada em fezes de seres humanos.
Conclusão:
não é verdade que a tal bactéria
seja obtida a partir de fezes humanas, ou seja, ninguém
sai catando cocô para fazer iogurte.
Sobre
os propalados efeitos do iogurte:
-
o fabricante do iogurte afirma existirem estudos que
confirmam os seus efeitos em mulheres,
- por
outro lado, há estudos que asseguram não
existirem provas clínicas dos efeitos proclamados
ou que tais efeitos são os mesmos produzidos
por similares,
-
médicos e nutricionistas afirmam que o consumo
de fibras e dieta alimentar adequada dispensam iogurtes.
Sobre
a propaganda do iogurte: como é que você,
consumidora, mulher moderna e inteligente vai provar
que o iogurte não fez os efeitos propagandeados
e, a partir da sua reclamação, se candidatar
a receber o dinheiro de volta? Veja o que diz o Resumo
da Ópera.
Sobre
propaganda em geral: internautas devem ficar atentos
ao conteúdo de blogs, foruns e outra páginas
da web com aparência inocente e que propagam efeitos
benéficos de alimentos, medicamentos, dietas
e de muitos outros produtos. É que existe o chamado
markerting viral. Não é marketing bacterial,
é viral mesmo.
É
aquela propaganda mais ou menos insidiosa que se faz
através de mensagens, blogs e comentários
em blogs. Ela usa redes sociais existentes tais como
Twitter, Orkut e Facebook.
Um
dos primeiros casos de marketing viral é o do
Yahoo. Toda mensagem enviada a partir dos seus servidores
vêm com a marca Yahoo! e cada pessoa que a recebe
toma conhecimento da existência da empresa.
A
diferença é que a frase contendo propaganda
do Yahoo é reconhecida como tal, como propaganda.
Há
casos, e muitos, em que profissionais são contratados
para falar bem de determinado produto e ficam à
espreita de forums e de blogs nos quais podem postar
comentários favoráveis. Também
podem criar blogs e foruns e, sem se identificar como
agente de propaganda da empresa, escrever comentários
elogiosos a ela ou a seus produtos.
Nesses
casos, espera-se que internautas passem os comentários
adiante, que divulguem os URL e, se for o caso, que
adicionem o chavão tá
na Internet. Para muitos, se a informação
estiver na Internet então ela deve ser tomada
como verdadeira.
É
o mesmo que acontecia quando informações
eram divulgadas principalmente através de livros
e jornais, período de predomínio da mídia
impressa. Se saiu no jornal, então é verdadeiro.
Se está impresso em livro, então é
verdadeiro.
Mais
tarde, vieram as emissões de rádio e de
televisão e o atestado de verdade ou a autoridade
passou para essas emissoras. Se
saiu na televisão no Telejornal Tal, então
é legal. É verdade!
Nada
mais falso. Ontem e hoje.
Mas
isso não significa pender para o lado oposto
e tomar como falso e mentiroso tudo o que se encontra
na Internet, tudo o que sai na TV e em outros meios
de comunicação.
Como
saber o que é falso ou verdadeiro?
Nenhuma
resposta imediata, mas use o senso crítico, analise
as informações recebidas, sua origem,
o seu conteúdo. Confronte com outras fontes,
procure identificar a possibilidade de ocorrência
de distorções ou viés produzidos
intencionalmente.