Lendas e folclore da Internet. As pulhas virtuais.

Gevilacio Aguiar Coelho de Moura
Lendas urbanas, pulhas virtuais, desinformação, teorias conspiratórias, mentiras, vírus, cavalos de tróia, golpes e muitas outras coisas que vagam pela Internet e tiram o sossego do Internauta. Veja também o que existe de verdade em uma ou outra mensagem suspeita.
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Pulha virtual e desinformação.

Marta Suplicy autorizou construir hotel na cabeceira da pista do Aeroporto de Congonhas. O causaéreo.

 

Mensagem diz que Marta Suplicy, enquanto prefeita da cidade de São Paulo, foi quem autorizou a construção de hotel situado nas proximidades da pista do aeroporto de Congonhas.

Ao ler a mensagem percebe-se o tom catastrófico e a primeira impressão, pelo menos para os mais desavisados, é que a dona Marta mandou construir um prédio logo no comecinho da cabeceira da pista. Lá em cima, uma enorme estrela do PT, of course.

 

Moradores ou hóspedes do enorme prédio teriam privilegiada visão dos pousos e decolagens das aeronaves. Vinte e quatro horas por dia.

Não é bem assim.

 

Nestes tempos de "causaéreo" (*) é sempre bom arranjar um petista responsável pelo acidente do vôo 3054 da TAM e por qualquer outra coisa ruim que aconteça no país.

No caso da construção do Oscar's Hotel, a 600m da cabeceira da pista de Congonhas, a história é outra.

Segundo o jornal online O Povo (24/07/2007):

 

"O dono do empreendimento, Oscar Maroni Filho, diz que não há irregularidades na obra. Em 2000, quando o hotel começou a ser construído, ele obteve autorização tanto da aeronáutica quanto da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo, com a ressalva de que o prédio fosse sinalizado com luzes de baixa intensidade no topo."

 

O hotel, portanto, teve a construção iniciada no ano de 2000 e obteve autorização da aeronáutica e da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo. Como é hábito e costume em construções, especialmente em edifícios com mais quatro pavimentos, o projeto e a autorização devem preceder a construção.

Celso Pitta foi prefeito da cidade de São Paulo entre 1º de janeiro de 1997 e 25 de maio de 2000 e entre 14 de junho e 31 de dezembro de 2000. No intervalo, assumiu a prefeitura o sr. Régis de Oliveira. (V. Os prefeitos de São Paulo.)

Marta Suplicy foi eleita em 2000 e assumiu a prefeitura em 01 de janeiro de 2001. É impossível que a obra tenha sido iniciada em 2000 e a autorização somente tenha sido obtida um ano depois, durante a gestão da prefeita. A gestão dela não sofreu "efeito retroativo".

Sobre a aprovação do projeto pela aeronáutica o dono do hotel acrescenta (31 de julho de 2007):

 

"... que a primeira análise dos militares indeferiu o pedido porque a proposta inicial não contava com isolamento acústico adequado. Refeito o projeto, segundo ele, a Aeronáutica aprovou."

 

Em Dono do Bahamas é intimado a pedir demolição de hotel, Orlando Almeida, secretário de Habitação da cidade de São Paulo diz:

 

"Um primeiro pedido foi indeferido pela Aeronáutica porque o empresário queria construir um flat residencial no local e o zoneamento de ruído não permite. Só que ele mudou o projeto para edifício comercial de escritórios e, por isso, conseguiu a autorização. E ele usou esse documento para construir um hotel. Um prédio de escritórios não é um hotel", afirmou o secretário.

 

 

A prefeitura de São Paulo pretende demolir o prédio, ainda não concluído, e argumenta:

 

"O pedido de demolição feito pela prefeitura não é, portanto, baseado no argumento de que a altura do prédio atrapalha a rota de aproximação dos aviões no aeroporto, mas sim em irregularidades no processo de construção. A altura de 47 metros está dentro das normas exigidas pela Aeronáutica."

(V. Prefeitura quer demolição de hotel em construção perto de Congonhas 25-07-2007).

 


"... o comando da Aeronáutica ... garantiu que o hotel não colocava os aviões em risco. A polêmica em torno do prédio dizia respeito a questões de zoneamento, às quais a legislação da anistia previa perdão."

(V. Maroni luta para manter hotel de pé.)

 

 

Tem mais.

 

"Ainda conforme a nota da prefeitura, em 1999, Marone Filho solicitou à Aeronáutica a autorização para construir um prédio de escritórios na região próxima ao aeroporto de Congonhas. Em 2000, de posse da autorização da Aeronáutica, Marone procurou a prefeitura e apresentou o pedido de alvará de construção do edifício, mas “com destinação residencial”.

V. Prédio que atrapalha Congonhas será demolido, diz prefeito de São Paulo.

 


"Segundo a Aeronáutica, árvores, postes de luz, antenas e dezenas de prédios estão no lugar errado ou são maiores do que deveriam.

"No total, 109 objetos estão nessa situação, incluindo 54 edifícios. O do Sindicato dos Aeroviários, ao lado do aeroporto, é um deles."

V. No caminho de Congonhas, hospital, antena, shopping e até caixa d'água

 

 

As coisas ficam misturadas, mas permanece a certeza de que a preocupação maior sempre foi com o sossego dos ocupantes do prédio e com o zoneamento urbano. Nada tem a ver com a altura do edifício e a segurança dos vôos.

O caso do agora famoso Oscar's Hotel teve alguns desdobramento e episódios ridículos. O senhor Kassab, prefeito de São Paulo, num rasgo de civismo (!) produziu uma das maiores patriotadas do ano. Ele afirmou:

"... tenho certeza absoluta que a Justiça ficará ao lado não dos 11 milhões de paulistanos, mas dos 200 milhões de brasileiros que querem ver o Brasil andar para a frente”.

Essa patriotice obtusa faz lembrar o mote "São Paulo é a locomotiva que puxa 26 vagões vazios" muito em voga há algumas décadas. Pura bobagem. (O senhor Kassab é um dos remanescentes da fase "este é um país que vai pra frente, ô, ô, ô, ô, ô..." :(

 

O fato é que, pelo andar da carruagem, ou das aeronaves, identificar as causas ou os culpados pelo acidente com o avião da TAM é coisa cada vez mais difícil.

Emissora de TV, logo após o acidente, declarou que o governo era o responsável pelas quase duzentas mortes.

Em seguida, surgiram outras entidades suspeitas: pista molhada, chuva, manete, groovings, projeto do Airbus, comandante.

E o Oscar's Hotel.

Nenhuma conclusão até agora.

Sobrou para o hotel, construído conforme a altura aprovada pela aeronáutica e pela prefeitura. Sobrou para a Boate Bahamas, de propriedade do mesmo dono do hotel.

A boate foi fechada, pela prefeitura de São Paulo, no dia 03 de agosto de 2007 sob a alegação de ser casa de prostituição. Antes do acidente e da notoriedade do senhor Oscar Maroni (Marone ou Moroni) a boate não era nem puteiro de luxo nem casa de baixo lenocínio.

Vejam só o que um Airbus caído e a pirotecnia de um demo do PFL/ARENA podem fazer: acabar com a prostituição na cidade de São Paulo...

Sobrou para as garotas que frequentavam a boate. E para os circunspectos senhores, acima de qualquer suspeita, que também frequentavam a boate e que agora ficaram na mão (desculpem, eu sei que foi péssima :(

Quanto às causas do acidente, nada. Mas desalojaram as meninas e prenderam o dono do puteiro de luxo. Vai ver, são elas as responsáveis pelo "causaéreo".


* Causaéreo s.m. corruptela de caos aéreo, segundo o jornalista Paulo Henrique Amorim.

 

Mais sobre o "causador" do acidente e temas correlatos.

Bahamas é interditado com distribuição de pizzas

Dono do Bahamas nega que hotel atrapalhe Congonhas

Kassab diz que pode demolir prédio que encurta pista

 

 

Mensagem original.

 

 

Sent: Wednesday, July 25, 2007 11:18 PM


Subject: A PETISTA MARTA SUPLICY AUTORIZOU CONSTRUIR O HOTEL QUE DIMINUIU PISTA DE CONGONHAS

 

Marta Suplicy, atual ministra do Turismo, é responsável pela autorização da Prefeitura de São Paulo, quando foi prefeita, para que o empresário Oscar Moroni Filho, conhecido em São Paulo como "o rei do prazer", tenha iniciado a construção do Oscar Hotel.

Os pilotos dos aviões precisam desviar desse edifício quando estão se dirigindo para a pista de Congonhas. Isso faz com que a aproximação acabe inutilizando cerca de 130 metros da pista principal do aeroporto, tornando-a mais curta.

O editfício fica localizado a 600 metros da cabeceira da pista de Congonhas.

Oscar Moroni Filho é dono do principal. Cabaré de São Paulo, o "clube prive" Bahamas, que rende mais de 30 milhões de reais ao ano.

O projeto do hotel ocupa 10 mil metros quadrados e custa 20 milhões de reais.

Este projeto já havia sido vetado pela Aeronáutica, mas misteriosamente acabou conseguindo autorização, assim como também da Prefeitura de São Paulo na administração Marta Suplicy.

Falsa p';agina do Credicardpróximo

 


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