Imagino
que se isso fosse verdadeiro já se teria chegado,
se não a uma solução para o grave
problema, pelo menos a um paliativo, uma solução
de emergência enquanto não se obtém
a cura completa dessa doença.
Qual
o paliativo? Péssimo, em minha modesta opinião
(IMHO ;). As mulheres deixariam os pelos das axilas crescer,
continuariam a usar o desodorante antiperspirante e, dessa
forma, estariam mais imunes a esse mal. Mais imunes e
menos cheirosas, talvez, em virtude de o desodorante ficar
nos pelos e não na pele. Mas é bom lembrar
que, em algumas culturas, em alguns países, as
mulheres não se depilam e nem por isso a incidência
do mal entre elas é menor. (Há quem aprecie
o gênero. Os pelos crescidos.)
Se
isso fosse verdade, então o desodorante usados
pelos homens não estariam onde deveriam estar -
na pele da axila - para produzir o esperado efeito e eles
seriam bem mais fedorentos...:)
Pergunta-se:
qual a incidência de câncer de mama em nadadores
que se depilam totalmente, inclusive nas axilas?
Seria
ótimo se os grandes problemas da humanidade tivessem
soluções tão simples!
Debbie
Saslow, diretor da ACS finaliza:
"Infelizmente,
os principais fatores de risco de câncer de mama
são coisas que a mulher nada pode fazer a respeito
para impedi-los. São eles: ser mulher, envelhecer
e possuir história de câncer de mama na
família.
"O
melhor que as mulheres podem fazer é realizar
anualmente os exames de mamografia. Isso não
previne nem impede a ocorrência, mas possibilita
a detecção do mal em seus primeiros estágios,
quando é mais fácil tratar." (Citado
em Ingredient
Fact Sheet: Buffered Aluminum Sulfate )
É
bem provável que um percentual bastante significativo
das mulheres com essa doença usem ou tenham usado
desodorante antiperspirante. Do ponto de vista científico,
isso nada significa. É o mesmo que estabelecer
uma correlação entre afogamentos na praia
e o consumo de sorvetes e atribuir ao sorvete a causa
dos afogamentos.
Essa
lenda é mais uma daquelas que exploram a credulidade
das pessoas. Ela se apoia no temor das pessoas em contrair
uma doença grave e sem cura quando em estágios
mais avançados. (Há pessoas que sequer pronunciam
o nome da doença. Para referir-se a ela, dizem
"cê-a".)
Quando
alguém passa adiante uma mensagem dessa natureza
ela acredita estar fazendo um grande bem. Ela espalha
uma inverdade.
E
a doutora Katrina Scott existe?
A
dona Katrina Scott, suposta autora da mensagem original,
não existe. Se você fizer uma pesquisa nos
principais sistemas de busca norte-americanos (Altavista,
Yahoo, Excite, Hotbot, Fast AllTheWeb) não vai
encontrar nada sobre ela. Pergunta-se: como é possível
que uma criatura que fez uma "descoberta tão
importante" não apareça na web nem
tampouco seja citada pelos seus pares?
Perdão,
ela aparece. Mas sempre vinculada à tal mensagem.
Um dos sites em que ela aparece é especializado
em cromoterapia, terapia vibracional, aromaterapia, "Chakra
Therapy" (como se traduz?), tarôs e oráculos.
A mensagem da Katrina encontra-se aí e com uma
curiosa observação: copyright by Katrina
Scott. ALL RIGHTS RESERVED.
Quem
pesquisar o nome Katrina Scott no Google,
por exemplo, vai receber mais de 470 respostas. Uma delas
remete ao sítio Katrina Scott’s Journal May 8,
1615. Pela data, dá pra perceber que não
é a mesma pessoa. Outras respostas remetem a fotos
de casamento e mais dezenas de scotts.
Ainda
que Katrina Scott existisse ela se apresenta como Diretora
Assistente de Marketing De Esporte da Universidade de
Maryland. Qual a autoridade científica ou conhecimentos
médicos que uma assistente de marketing de esportes
possui para tratar de um assunto tão especializado?
Se as pessoas que traduziram ou passaram a mensagem adiante
tivessem feito a si próprias essa pergunta talvez
não a tivessem encaminhado.
1 2>>