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Lenda

Ovo de barata na língua

Essa repugnante história lembra a anedota do sujeito que trabalhava nos correios. A função dele era ficar, com a língua de fora, ao lado do guichê de venda de selos. Depois de comprar o selo, as pessoas usavam os serviços desse funcionário: passavam o selo na língua dele para molhar a cola.

Pois é, apesar de toda a tecnologia norte-americana de guerra e de destruição o pessoal da Califórnia continua a usar o tradicional procedimento de molhar o envelope na língua. Que atraso! E haja língua!

Nem mesmo a invenção do tubo de cola foi capaz de substituir a língua da infeliz personagem da história. O máximo que o pessoal desse escritório avançou na tecnologia do fechamento de envelopes foi umedecer a borda do envelope com uma esponja.

Bom, mas não dá pra acreditar nessa lenda que circula nos Estados Unidos desde o ano de 2000. Como todas as lendas, essa também possui os tradicionais ingredientes: imprecisão, coisas aparentemente plausíveis e muita imaginação. Veja só:

- Uma mulher que trabalhava num escritório, na Califórnia é um dado impreciso. Qual o nome da mulher? Em que cidade isso aconteceu? Escritório de quê?

- E todos os dias, ela cortava a língua nos mesmos envelopes. Cortava a língua e, mesmo assim, repetia o procedimento?

- Quando o médico fez a incisão ... uma barata saltou de dentro do inchaço. Isso é coisa de filme de terror de quinta categoria. Made in USA, of course.

- As baratas tinham colocado ovos na parte que tem cola ... Isso é impossível de ocorrer porque ovos de barata não são assim tão pequenos a ponto de ficar dentro da camada de cola de um envelope, por mais espessa que seja essa camada. Além do mais, os especialistas dizem que a "... barata fêmea produz uma cápsula protetora dos ovos (ooteca), em forma de bolsa fechada, a qual contém duas fileiras de ovos justapostas e separadas por uma membrana. O número de ovos varia com a espécie podendo variar de 4 a 50 ovos." (Baratas: Biologia e Comportamento). Portanto, uma barata não põe um ovo de cada vez, mas de 4 a 50 ovos. E todos eles ficam dentro da ooteca até a eclosão.

- Esta história é real e já chegou a ser reproduzida na CNN. Não é verdade. A CNN pode até noticiar "células terroristas árabes" em Foz do Iguaçu, mas essa notícia ela não publicou.

- Andy Hume escreveu... Quem é Andy Hume? Homem, mulher, o que ele/a faz?

Como é curioso esse trecho:

" Eu costumava trabalhar numa reprografia (durante 32 anos), e tinham-nos dito para nós NUNCA lambermos os envelopes. Eu nunca tinha percebido bem o porquê, até eu ir aos armazéns buscar 2500 envelopes

O/a narrador/a diz que "costumava trabalhar" e fez isso durante 32 anos!

O que significa "costumava trabalhar"? Trabalhava ou não trabalhava? Tinha ou não tinha o "costume" de trabalhar? (O original em inglês diz I used to work... e veja só o que o tradutor entendeu...)

O pior é que ele/ela, seja lá quem for, parecia incumbido/a da tarefa de dar uma lambidinha nos 2.500 envelopes lá do armazém. Que emprego, meu Deus!

Barata

Mais adiante, vem outra pérola:

Eu penso que as reprografias têm mais dificuldades em controlar as baratas do que um restaurante.

Será que lá na terra do Uncle Sam é assim mesmo?

Já no final, vem a frase que elimina todas as dúvidas, se é que alguém chegou a acreditar na veracidade da história do ovo de barata na língua da diligente funcionária encarregada de dar uma lambidinha nos envelopes do escritório lá na Califórnia:

POR FAVOR, ENVIE ESTA MENSAGEM AOS SEUS AMIGOS.

 

Um site que trata de baratas, quer dizer, trata de baratas não, porque não há notícias (nem na CNN ;) de que alguém trate de baratas, mas é um site que menciona alguns aspectos da biologia da barata. Ele diz que "Se alguém lhe comparar com uma barata, sorria, pois ela é uma vencedora!"

O fato é o seguinte: se alguém disser que você é um barato, masculino, sorria, pois isso é um elogio. Mas se disser que é uma barata, feminino, não tenha isso como um elogio :)))

 

Mais baratas (argh!).

Baratas

Baratas

Os leitores comentam.

A nojenta mensagem original.

 

Uma mulher que trabalhava num escritório, na Califórnia, costumava lamber os envelopes ao invés de os humidificar com uma esponja. E todos os dias, ela cortava a língua nos mesmos envelopes.

Uma semana mais tarde ela reparou num inchaço anormal na parte de cima da língua. Ela foi ao médico e ele disse-lhe que não havia nada de errado, que a sua língua não estava infectada com nenhuma espécie de vírus.

Mas uns dias mais tarde a língua estava ainda mais inchada e a inchar cada vez mais. Começou a ficar de tal maneira que ela já nem conseguia comer. Ela voltou ao hospital e exigiu que alguma coisa fosse feita, pois não era normal e cada dia que passava ela ficava pior.

O médico fez um raio-x e detectou algo anormal e disse-lhe que teriam que proceder a uma pequena cirurgia. Quando o médico fez a incisão para verificarem o estado da situação, uma barata saltou de dentro do inchaço.

As baratas tinham colocado ovos na parte que tem cola e um dos ovos conseguiu introduzir-se na sua língua através da saliva (que é quente e pegajosa).

Esta história é real e já chegou a ser reproduzida na CNN. - Andy Hume escreveu: "Eu costumava trabalhar numa fábrica de produção de envelopes. Vocês nem iriam acreditar nas coisas que costumamos encontrar na cola dos envelopes. Há anos que eu não lambo um envelope".

Para Todos: - " Eu costumava trabalhar numa reprografia (durante 32 anos), e tinham-nos dito para nós NUNCA lambermos os envelopes. Eu nunca tinha percebido bem o porquê, até eu ir aos armazéns buscar 2500 envelopes de um cliente, que já se encontravam prontos. E vi vários montes de baratas a percorrerem o pacote e o seu conteúdo e com ovos espalhados por todos os sítios. As baratas costumavam comer a cola dos envelopes.

Eu penso que as reprografias têm mais dificuldades em controlar as baratas do que um restaurante. Eu compro sempre aqueles envelopes de colar fácil. E se eu necessitar de usar dos outros, utilizo um tubo de cola".

POR FAVOR, ENVIE ESTA MENSAGEM AOS SEUS AMIGOS.

Depois de lerem este mail, nunca mais conseguirão lamber outro envelope ou selo novamente. Eu sei que não o farei... .


Paulo Coelhopróxima

 

 


 

 

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