LendaDiscurso do Cacique Guaicaipuro Cuatemoc
Ao pesquisar o termo "guaicaipuro cuatemoc" no Google retornam mais de 3.400 resultados (fevereiro de 2008). Todos eles referem-se a discurso que teria sido proferido pelo cacique Guaicaipuro Cuatemoc numa reunião de chefes de estado da Comunidade Européia.
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O discurso é reproduzido nos mais diversos idiomas. Existem páginas em italiano, espanhol, português, alemão, inglês, francês, holandês e catalão. Quem é ou quem foi o cacique Guaicaipuro Cuatemoc? A que tribo ou nação ele pertence? Onde se realizou e quem estava presente a essa reunião de chefes de estado da Comunidade Européia? A verdade é que não existem maiores informações confiáveis sobre o cacique, a que tribo ou nação ele pertence, nem qual o seu país de origem. Uma das páginas fala no "cacique de uma nação indígena da América Central". Mensagem de fevereiro de 2008 diz que ele era embaixador do México. São as duas referências mais precisas. Até mesmo a data em que o discurso teria sido proferido não é muito precisa. Para L'Espace Citoyens a reunião teria ocorrido no mês de abril de 2002 na cidade de Valência (Espanha). Na maioria das páginas, no entanto, a data informada é 08 de fevereiro de 2002. Página da New Internationalist Publications diz que o discurso foi proferido pelo cacique, um líder indígena mexicano, na Europa em 1992, durante comemorações do descobrimento da América. Segundo essa página, o texto foi reproduzido segundo o original publicado em Renacer Indianista No 7, e da tradução contida na revista Resurgence No 184. Nenhum resultado retorna da pesquisa aos termos "guaicaipuro cuatemoc" na caixa de busca da página Resurgence Magazine On-line. Página Día de la Raza diz que o discurso foi trasmitido en traducción simultánea a más de un centenar de Jefes de Estado y dignatarios de la Comunidad Europea. Ou se esqueceram de gravar o discurso e as traduções ou os registros se perderam. Uma das páginas que reproduzem o discurso apresenta a data de 29 de setembro de 2002 e diz que a tal reunião teria ocorrido "na semana passada". O texto publicado no site de notícias Virtual Azores se inicia assim:
A conferencia dos chefes de estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, encerrada no fim de semana passado, em Madrid, viveu dois momentos surpreendentes. O primeiro por causa da desatenção dos presidentes do México, Vicente Fox, e do Brasil, Fernando Henrique Cardoso.
No intervalo de uma sessão os dois conversaram com franqueza e desancaram os EUA que, segundo FHC "fala muito e faz pouco". Não sabiam que os microfones de uma estacão de TV estavam ligados, e assim, apanhados no contrapé, admitiram a gafe. Índio surpreende chefes na reunião de cúpula.
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| Uma das duas imagens conhecidas do suposto cacique. | | | Rosto diferente é mostrado no site Aldea Educativa. | |
Novamente o Google: ao pesquisar imagens de Guaicaipuro Cuatemoc retornam mais de 500 resultados. Apenas três ou quatro delas têm a ver com o personagem: são desenhos. Nenhuma fotografia do momento em que ele teria discursado no tal encontro. Não existe gravação da voz nem vídeo do discurso. Afinal de contas, o cacique existe ou não? É pouco provável que exista algum cacique, embaixador ou índio com esse nome. Tudo não passa da análise de uma mente mais revoltada ou lúcida sobre os séculos de exploração, saques, matanças e roubos perpetrados pelos "civilizadores" europeus no Novo Mundo. Espanhóis, portugueses, ingleses, franceses e holandeses cada um deles participou da "colonização" das américas em maior ou menor medida. Aqui no Brasil, por exemplo, alguns passaram rapidamente, saquearam e se foram com o butim. Como Lancaster, o pirata inglês que fez a "festa" no Recife. Outros passaram mais tempo "colonizando" e depois se mandaram. Se mandaram e até hoje são homenageados como grandes figuras da história brasileira. (Ainda hoje, há os que pilham o país e nem se dão ao trabalho de ir embora ;(( Versão de fevereiro de 2008 diz que Guaicaipuro Cuatemoc era embaixador do México e tem o seguinte preâmbulo: Um surpreendente discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, advogando o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou embasbacados os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.
Em julho de 2008, intelectuais da América Latina lançaram Manifesto contra a lei de imigração européia. O manifesto de certa forma corrobora o conteúdo do discurso do cacique inexistente ao afirmar que ... a Europa não seria a Europa sem a matança dos indígenas na América, sem a escravização dos filhos da África, para trazer à luz apenas um par de exemplos desses esquecimentos."
O manifesto: Manifesto contra a lei de imigração européia Senhores governantes e parlamentares europeus Alguns de nossos antepassados, poucos, muitos ou todos, vieram da Europa. O mundo inteiro recebeu com generosidade os trabalhadores emigrantes da Europa. Agora, uma nova lei européia, ditada pela nascente crise econômica, castiga como crime a livre circulação das pessoas, que é um direito consagrado pela legislação internacional já faz alguns anos. Isso não é novo, porque desde sempre os trabalhadores estrangeiros são os bodes expiatórios das crises de um sistema que os usa enquanto precisa para logo depois joga-los na lata de lixo. Isso não é novo, mas é uma infâmia. A amnésia, que nada tem de inocente, impede que a Europa se lembre de que nada seria sem a ajuda que o mundo inteiro lhe deu: a Europa não seria a Europa sem a matança dos indígenas na América, sem a escravização dos filhos da África, para trazer à luz apenas um par de exemplos desses esquecimentos. A Europa deveria pedir perdão ao mundo, ou pelos menos agradecer-lhe, ao invés de consagrar em lei a caça e o castigo dos trabalhadores que chegam a seu solo corridos pela fome e pelas guerras que os senhores do mundo lhes dão de presente. Desde o continente americano, julho de 2008. ARGENTINA Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel da Paz Atilio Boron, Escritor Hebe Bonafini, Madres de la Plaza de Mayo Osvaldo Bayer, Escritor Hermana Martha Pelloni, Militante Direitos Humanos Diana Maffía, Filósofa feminista Rally Barrionuevo, Cantautor Claudia Korol, Jornalista, Clacso
BOLIVIA Eduardo Paz, Professor Universitário Humberto Claure Quezada, Engenheiro, Editor da Revista Patria Grande BRASIL Augusto Boal, Teatrólogo Afrânio Mendes Catani, Professor da USP Candido Grzyboswki, Sociólogo do IBASE e FSM Chico Withaker, Sociólogo, FSM Emilia Vioti da Costa, Historiadora, Elias de Sá Lima, Engenheiro Gaudêncio Frigotto, Educador Heloisa Fernandes, Socióloga, ENFF Jean Pierre Leroy, Ambientalista, FASE Jean Marc Von der Weid, Economista agrícola, ASPTA Joao Pedro Stedile, Ativista social, MST Mario Maestri, Historiador, Pedro Casaldaliga, Bispo, poeta Renée France de Carvalho, Militante internacionalista Rita Laura Segato, Antropóloga, UNB Vânia Bambirra, Economista Vito Gianotti, Jornalista CANADÁ Naomi Kleim, Jornalista, escritora, autora de "No Logo" Pat Mooney, Pesquisador de tecnologías, Premio Nobel Alternativo. Michael A. Lebowitz, Professor, Simon Fraser University. CHILE Cosme Caracciolo, Conf. Nac. de Pescadores Artesanales de Chile. Luis Conejeros, Presidente do Colegio de Periodistas de Chile. Marco Enríquez-Ominami, Deputado Manuel Cabieses, Diretor da revista Punto Final. Marta Harnecker, Socióloga, escritora Manuel Holzapfel, Jornalista Ernesto Carmona, Conselheiro Nacional do Colegio de Periodistas de Chile Paul Walder, Professor universitário e jornalista Pedro Lemebel, Escritor Flora Martínez, Enfermeira Alberto Espinoza, Advogado Tomas Hirsch, Porta-voz do Humanismo para Latinoamérica CUBA Aleida Guevara, Médica pediatra Joel Suárez Rodes, Centro Memorial Dr. Martin Luther King EQUADOR Alberto Acosta, Economista, membro da Assembléia Constituinte Carolina Portaluppi, Escritora Juan Meriguet Martínez, Comunicador Pavel Égüez, Artista plástico Hanne Holst, Feminista Luigi Stornaiolo, Artista plástico Osvaldo Leon, Jornalista, ALAI Verónica León-Burch, Produtora de Vídeo ESTADOS UNIDOS Saul Landau, Cineasta Norman Solomon, Jornalista Susanna Hecht, Professora da UCLA Richard Levins, Professor de Harvard Noam Chomsky, Professor do MIT Peter Rosset, Pesquisador Fernando Coronil, Historiador e antropólogo da Universidade de Nova Iorque Mario Montalbetti, Lingüista e poeta John Vandermeer, Professor da Universidade de Michigan HAITI Jean Casimir, Antropólogo, escritor Camille Chammers, Economista MÉXICO Subcomandante Insurgente Marcos, cidadão do mundo no México Ana Esther Ceceña, Economista, pesquisadora da UNAM Felipe Iñiguez Pérez Maria de Jesús González Galaviz Pablo Gonzalez Casanova, Sociólogo Luis Hernández Navarro, Jornalista do La Jornada Beatriz Aurora, Artista Victor Quintana, Deputado Estadual e dirigente campesino Raquel Sosa, Escritora, professora da UNAM Rodolfo Stavenhagen, Relator da ONU para direitos indígenas Silvia Ribeiro, Pesquisadora NICARÁGUA Carlos Mejia Godoy, Cantautor (compositor y cantor) Ernesto Cardenal, Poeta, escritor e sacerdote Gioconda Belli, Poetisa e escritora Luis Enrique Mejia Godoy, cantautor Mónica Baltodano, deputada, ex-comandante sandinista Dora Maria Tellez, ex-comandante sandinista Sergio Ramirez Mercado, escritor PARAGUAY Fernando Lugo, bispo licenciado, Presidente eleito do Paraguay Marcial Gilberto Congon, pedagogo popular Ricardo Canesse, engenheiro, parlamentar Parlasur PERU Aníbal Quijano, sociólogo, escritor Carmen Pimentel, Psicóloga, escritora Carmen Lora, Universidad Católica de Perú Mirko Lauer, poeta, ensaísta Rolando Ames, cientifico social, escritor. URUGUAI Eduardo Galeano, escritor Antonio Elias, Economista, SEPLA VENEZUELA Maximilien Arvelaiz, Diplomata
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Veja Trechos de cartas enviadas à Espanha por Hernan Cortez nas quais ele narra como aniquilou a civilização asteca entre 1519 e 1526. E mais Brevísima relación de la destrucción de las Indias de Fray Bartolomé de las Casas. Os leitores comentam
Texto original.
A DÍVIDA EXTERNA DA EUROPA
Índio surpreende chefes na reunião de cúpula
Com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea para mais de uma centena de chefes de estado e demais dignatários da Comunidade Européia, o discurso do Cacique Guaicaipuro Cuatemoc provocou um silêncio inquietante na audiência quando falou: "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a encontraram só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento, com juros, de uma divida contraída por um Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu, um rábula, me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento, também posso reclamar juros. Consta no Arquivo das Índias. Papel sobre papel, recibo sobre recibo, assinatura sobre assinatura que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América Terá sido isso um saque? Não acredito porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao Sétimo Mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas que qualificam o encontro de "destruição da Índias" ou Arturo Uslar Pietri, que afirma que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos retirados das Américas! Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de outros empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos. Eu, Guaicaipuro Cuatémoc, prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "Marshal-tezuma", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho diário e outras conquistas da civilização. Por isso, ao celebrarmos o Quinto Centenário desse Empréstimo, poderemos nos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo desses recursos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indo-americano Internacional? É com pesar que dizemos não. No aspecto estratégico, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem um outro destino a não ser terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como um Panamá, mas sem o canal. No aspecto financeiro foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros, quanto se tornarem independentes das rendas liquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar. E nos obriga a reclamar-lhes, para o seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros que os irmãos europeus cobram aos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos emprestados, acrescidos de um módico juro fixo de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos. Sobre esta base, e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 180 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total seriam precisos mais de 300 cifras, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra. Muito peso em ouro e prata! Quanto pesariam calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para pagar esses módicos juros seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demêncial irracionalidade dos pressupostos do capitalismo. Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam aos índo-americanos.
Porém exigimos a assinatura de uma carta de intenções que discipline aos povos devedores do Velho Continentes e que os obrigue a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permita nos entregá-la inteira como primeira prestação da dívida histórica."
Quando terminou seu discurso diante dos Chefes de Estado da Comunidade Europeia, o Cacique Guaicaipuro Cuatemoc, nem sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa. Agora só resta que algum Governo Latino Americano tenha a dignidade suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais. Os europeus ali reunidos devem ter percebido que nesse tempo de globalização e tecnologia, índio já não quer mais apito, quer que lhe paguem o devido, com juros. Se tem amigos honestos, faça-os conhecer este discurso. Eles tambem têm sido vendidos.
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Versão de fevereiro de 2008.
Sent: Friday, February 22, 2008 11:00 AM Subject: Discurso do século sobre divida externa O Discurso do século Um surpreendente discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, advogando o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou embasbacados os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc. "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas. Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização. Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos? Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..." Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa.
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